Ser ou estar, eis a questão: ampliando possibilidades de narrativas de self

Flávia Pires de Camargo, Cecília Cruz Villares

Resumo


Este artigo apresenta algumas reflexões sobre um processo de terapia ocupacional pela perspectiva do construcionismo social. Para sua elaboração foram realizados cinco encontros, visando promover conversas que propiciassem uma avaliação apreciativa conjunta com o cliente a partir das vivências de um período de 18 meses de atendimento de terapia ocupacional. O texto apresenta também mobilizações pessoais vividas no processo. O foco foi principalmente nas mudanças das descrições sobre o cliente, que naquele contexto de tratamento era denominado apenas como paciente “difícil”, e na contribuição da terapia ocupacional orientada pelo construcionismo social nas mudanças das narrativas tanto da equipe quanto do próprio cliente sobre si. O trabalho foi realizado com base em conceitos propostos por autores do construcionismo social como a mulplicidade do self, conversa interna do terapeuta, polifonia e posicionamentos.


Palavras-chave


terapia ocupacional, narrativas, construcionismo social.

Texto completo:

PDF

Referências


Andersen, T. (1997). A linguagem não é inocente. Nova Perspectiva Sistêmica, 7, 5-11.

Anderson, H., & Goolishian, H. (1998). O cliente é o especialista: a abordagem terapêutica do não saber. In S. McNamee & K. J. Gergen. A terapia como construção social (pp. 34-50). Porto Alegre: Artmed.

Anderson, H. (2009). Terapia colaborativa: relacionamentos e conversações. Nova Perspectiva Sistêmica, 33, 37-52.

Barros, D. L P. (1997). Contribuições de Bakhtin às teorias do discurso. In: B. Brait (org.). Bakhtin, dialogismo e construção do sentido (pp. 27-38). Campinas, SP: Editora da Unicamp.

Benetton, M. J. (1991). Trilhas associativas: ampliando recursos na clínica da psicose. São Paulo: Lemos.

Brockmeier, J., & Harré R. (2003). Narrativa: problemas e promessas de um paradigma alternativo. Psicologia: Reflexão e Crítica, 525-535.

Cavalcante, M. S. A. O. (2005). O sujeito responsivo / ativo em Bakhtin e Lukács. Recuperado em 05 Janeiro, 2012, de http://www.ufrgs.br/analisedodiscurso/anaisdosead/2SEAD/SIMPOSIOS/MariaDoSocorroAguiarDeOliveiraCavalcante. pdf

Gergen, K. J., & McNamee, S. (2010). Do discurso sobre a desordem ao diálogo transformador. Nova Perspectiva Sistêmica, 38, 47-62.

Guanaes, C., & Japur, M. (2003). Construcionismo social e metapsicologia: um diálogo sobre o conceito de self. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 19(2), 135-143.

Harré, R., & Van Langenhove, L. (1999). The dynamic of social episodes. In: R. Harré, & L. Van Langenhove. Positioning Theory: moral contexts of intentional actions (pp. 01-13). Oxford: Blackwell Publishers.

Malta, S. M., Attux C., & Bressan, R. A. (2007). Esquizofrenia: integração clínico-terapêutica. São Paulo: Atheneu.

Mângia, E. F., & Nicácio F. (2001). Terapia ocupacional em saúde mental; tendências principais e desafios contemporâneos. In M. M. R. P. De Carlo, & C. C. Bartalotti. Terapia ocupacional no Brasil: fundamentos e perspectivas (pp. 63-80). São Paulo: Plexus.

Rasera, E. F., & Guanaes, C. (2001). Contribuições do pensamento construcionista para o estudo da prática grupal. Psicologia: Reflexão e Crítica, 14(1), 201-209.

Rasera, E. F., & Guanaes, C. (2006) O terapeuta como produtor de conhecimentos: contribuições da perspectiva construcionista social. Nova Perspectiva Sistêmica, 26, 76-85.

Rober, P., Elliott R., Buysse A., Loots G., & De Corte K. (2008) What’s on the therapist’s mind? A grounded theory analysis of family therapist reflections during individual therapy sessions. Psychotherapy Research, 18, 48-57.

Rober, P. (2009). A conversa interna do terapeuta na prática da terapia de família: lidando com as complexidades dos encontros terapêuticos com famílias. Nova Perspectiva Sistêmica, 35, 46-60.

Rüsch, N., Angermeyer, M. C., & Corrigan W. P. (2005). Mental illness stigma: concepts, consequences, and initiatives to reduce stigma. European Psychiatry, 20:529-539.

Santos, J. E., & Cardoso, C. M. S. (2011). Narrativas e experiências acerca da loucura: uma reflexão de profissionais de comunicação. Interface – Comunicação, Saúde, Educação, 15(38):727-39.

Schnitman, D. (2000). O novo paradigma da ciência. In: H. M. Cruz. Papai, mamãe, você… e eu?: conversações terapêuticas em famílias com crianças. São Paulo: Casa do Psicólogo.

Shotter, J. (2000). Conversational realities:mconstructing life through language. Londres: Sage.

Thornicroft, G. (2008). Stigma and discrimination limit access to mental health care. Epidemiologia e Psichiatria Sociale, 17(1):14-19.

Villares, C. C. (2007). Terapia Ocupacional. In: S. Malta, C. Attux, R. A. Bressan. Esquizofrenia: integração clínico-terapêutica (pp. 51-62). São Paulo: Atheneu.

White, M., & Epston, D. (1990). Narrative means to therapeutic ends. Nova York: Norton Publishers.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.

Desenvolvido por:

Logomarca da Lepidus Tecnologia

A revista Nova Perspectiva Sistêmica é publicada pelo Instituto Noos São Paulo.

Está indexada por Latindex, DOAJ, Clase, BVS-PSI, PePSIC, Periódicos CAPES, MIAR Universitat Barcelona e Google Acadêmico.

Conceito B3 no Qualis.