Ser ou estar, eis a questão: ampliando possibilidades de narrativas de self

  • Flávia Pires de Camargo Terapeuta ocupacional graduada pelo Centro Universitário São Camilo (CUSC) e formada no curso de especialização de Terapia Ocupacional em Saúde Mental pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).
  • Cecília Cruz Villares Terapeuta ocupacional, Mestre em Saúde Mental pela UNIFESP, coordenadora das atividades docentes no Curso de Especialização em Terapia Ocupacional em Saúde Mental e na Residência Multiprofissional em Saúde Mental, no Programa de Esquizofrenia (PROESQ) do Departamento de Psiquiatria. Docente convidada no módulo Família e Transtorno Mental no Instituto Familiae.
Palavras-chave: terapia ocupacional, narrativas, construcionismo social.

Resumo

Este artigo apresenta algumas reflexões sobre um processo de terapia ocupacional pela perspectiva do construcionismo social. Para sua elaboração foram realizados cinco encontros, visando promover conversas que propiciassem uma avaliação apreciativa conjunta com o cliente a partir das vivências de um período de 18 meses de atendimento de terapia ocupacional. O texto apresenta também mobilizações pessoais vividas no processo. O foco foi principalmente nas mudanças das descrições sobre o cliente, que naquele contexto de tratamento era denominado apenas como paciente “difícil”, e na contribuição da terapia ocupacional orientada pelo construcionismo social nas mudanças das narrativas tanto da equipe quanto do próprio cliente sobre si. O trabalho foi realizado com base em conceitos propostos por autores do construcionismo social como a mulplicidade do self, conversa interna do terapeuta, polifonia e posicionamentos.

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Publicado
2016-07-05
Como Citar
de Camargo, F. P., & Villares, C. C. (2016). Ser ou estar, eis a questão: ampliando possibilidades de narrativas de self. Nova Perspectiva Sistêmica, 22(46), 36-50. Recuperado de https://www.revistanps.com.br/nps/article/view/112
Seção
Artigos