Sexualidade e erotismo no processo terapêutico
um ensaio teórico–clínico
DOI:
https://doi.org/10.38034/nps.v35i85.894Palavras-chave:
sexualidade, erotismo, constricionismo social, terapia de casalResumo
A sexualidade e o erotismo constituem dimensões centrais na clínica de casal, frequentemente atravessadas por silêncio, vergonha e dificuldades de nomeação. Este ensaio teórico-clínico, fundamentado no construcionismo social e em perspectivas críticas da sexualidade, discute como discursos normativos, performances de gênero e expectativas culturais moldam o desejo no vínculo conjugal. Recorre-se a vinhetas clínicas construídas com finalidade ilustrativa, que evidenciam microgestos, hesitações e movimentos conversacionais observados na prática terapêutica. As análises indicam que queixas como “falta de desejo” ou “incompatibilidade sexual” raramente se explicam por déficits individuais, emergindo como produções relacionais situadas. Argumenta-se que a clínica, quando orientada por práticas dialógicas e colaborativas, favorece a ressignificação do erotismo como linguagem simbólica compartilhada. Conclui-se que o trabalho com casais implica criar condições conversacionais que ampliem possibilidades de presença, vínculo e reinvenção do desejo.
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