Cerimônias de encerramento em terapia individual: expandindo os sentidos da mudança

  • Pedro Pablo Sampaio Martins Universidade de São Paulo - USP, Ribeirão Preto, SP
  • Marina Arantes Instituto Verso: Mediação de Conflitos, Uberlândia, MG
Palavras-chave: Construcionismo social, Terapêutica, Psicoterapia, Cerimônias de encerramento

Resumo

O construcionismo social chama atenção para o desafio de se levar, para além da sala de terapia, mudanças de sentidos que são construídas entre terapeuta e cliente. Sensível a essa problemática, este artigo tem como objetivo descrever as “cerimônias de encerramento”, um formato de sessão utilizado na finalização de atendimentos individuais. A finalidade das cerimônias é construir uma história mais complexa acerca do processo de mudança em terapia, compartilhando-o com pessoas externas a ela (testemunhas da vida pessoal do cliente e um terapeuta convidado). Quatro etapas guiam essa conversa terapêutica, respectivamente visando a: criar uma história sobre o processo; ampliar sentidos com a testemunha; transformar o lugar do terapeuta e construir um sentido social para o processo terapêutico. Trechos de uma cerimônia de encerramento são utilizados para ilustrar como esse formato informou as conversas práticas em um contexto interacional real, no qual perguntas, intervenções e modos de interação produziram efeitos específicos na conversa com uma cliente e sua testemunha. Refletimos sobre o caráter social das transformações individuais, discutindo a importância de os terapeutas produzirem práticas sensíveis à importância dos relacionamentos na construção e sustentação da mudança.

DOI http://dx.doi.org/10.21452/2594-43632018v27n62a01

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Biografia do Autor

Pedro Pablo Sampaio Martins, Universidade de São Paulo - USP, Ribeirão Preto, SP

É doutor e mestre em Psicologia pela Universidade de São Paulo e psicólogo pela Universidade Federal de Uberlândia.
É membro associado do Taos Institute, no qual atua como parte do Conselho Latino-Americano. Atualmente, atua como psicólogo clínico na cidade de Uberlândia - MG, onde
atende indivíduos, famílias e casais a partir de uma perspectiva construcionista social. É um dos coordenadores
do Romã, um grupo terapêutico temático, que favorece o diálogo sobre amor e relacionamentos. Coordena
também o curso “Construcionismo Social na Prática”, no qual anualmente oferece uma introdução aos principais
conceitos teóricos e práticos relacionados à construção social. Além disso, é docente convidado na formação
em Terapia Familiar do Instituto ConversAções, em Ribeirão Preto. Sua pesquisa e prática estão voltadas para o trabalho com famílias em contextos clínicos e de saúde mental.
Atuou como pesquisador no Laboratório de Pesquisa e Estudo em Práticas Grupais da FFCLRP-USP e como
colaborador no Programa de Atendimento às Famílias do Hospital-Dia de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP de Ribeirão Preto. Em 2012 e 2015, foi pesquisador visitante na University of New Hampshire, Estados
Unidos da América. 

Marina Arantes, Instituto Verso: Mediação de Conflitos, Uberlândia, MG
Psicóloga e mediadora de conflitos. É graduada pela Universidade Federal de Uberlândia, onde atuou como co-supervisora de alunos trabalhando com populações vulneráveis em diferentes contextos. Como psicóloga clínica, ela atua com crianças, adultos e famílias, em uma prática sensível às premissas construcionistas sociais sobre realidade e produção de sentidos. Ela está envolvida em diferentes contextos de formação, comprometidos com a disseminação das ideias construcionistas sociais: como professora no curso “Construcionismo Social na Prática”, financiado pelo Taos Institute, e como supervisora de outros terapeutas e alunos. Ela é co-fundadora do Instituto Verso: Mediação de Conflitos, onde trabalha como mediadora, além de articular múltiplos contextos que têm por objetivo a propagação de formas alternativas de resolver e entender conflitos.

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Publicado
2019-02-09
Como Citar
Martins, P. P. S., & Arantes, M. (2019). Cerimônias de encerramento em terapia individual: expandindo os sentidos da mudança. Nova Perspectiva Sistêmica, 27(62), 6-23. https://doi.org/10.38034/nps.v27i62.439
Seção
Artigos